ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO – METRÔ SÉRGIO HENRIQUE PASSOS AVELLEDA.
Nós, a Liga de Ciclistas da Cidade de São Paulo, integrada por grupos de cicloativistas como Bike Anjo, Coletivas, Coletivo Cru e Vá de Bike, com o intuito de auxiliar no estudo que o METRÔ vem desenvolvendo, gostaríamos de apresentar este documento com algumas sugestões para servirem de alternativas à obrigatoriedade do uso da escada fixa pelo usuário que portar uma bicicleta.
Gostaríamos de tratar deste assunto porque muitos ciclistas utilizam os serviços do METRÔ nos horários permitidos e sofrem as consequências de carregar a bicicleta nas costas.
Uma bicicleta pesa em torno de 20 kg. Segundo estudos médicos amplamente divulgados, o ser humano não deveria carregar peso que excedesse 10% de seu peso. Ou seja, um homem e uma mulher medianos, pesando 80 kg e 65 kg, não deveriam carregar peso maior que 8 kg e 6,5Kg respectivamente. Tal excesso de peso carregado pelo ciclista nas costas causa inúmeros malefícios para o seu corpo e, principalmente, sua coluna.
Mas há também os ciclistas que já possuem alguma deficiência, como escoliose, lordose, hérnia de disco, pinos nos pulsos, nos braços, nos ombros etc. David Rissato Cruz, com 35 anos, é um desses exemplos: “Tenho desvio de coluna. Subi a escada do metrô uma vez com a bike nas costas e fiquei quatro meses detonado. Meu tratamento de RPG regrediu praticamente oito meses por conta desse incidente” (fonte). David deixou de usar a bicicleta como meio de transporte por algum tempo depois disso.
Exemplos não nos faltam para ilustrar o problema, mas nosso intuito com este documento é auxiliar o METRÔ indicando quais soluções são adotadas nesta mesma questão nos transportes metroviários ao redor do mundo, de forma que passamos a listar aqui algumas posturas adotadas em outras cidades:
1) Em Madri, na Espanha, é permitido transportar a bicicleta em elevadores, escadas rolantes e passarelas móveis. (fonte)
2) Enquanto em Washington, Estados Unidos, por exemplo, os ciclistas são proibidos de usar as escadas, sejam normais ou rolantes, exceto em casos de emergência a ser analisado pelo funcionário do metrô. São obrigados a usar os elevadores (fonte).
3) Países como Alemanha, Áustria e República Tcheca permitem o uso de elevadores ou possuem canaletas/rampas nas laterais das escadas, algumas com esteiras automatizadas.
4) Em São Francisco, os ciclistas também podem usar os elevadores. As escadas rolantes são proibidas, mas essa proibição pode estar com os dias contados, já que a companhia BART (Bay Area Rapid Transit) realizou um estudo há alguns anos e concluiu que “escadas rolantes e escadarias são igualmente seguras para uso dos ciclistas”.
5) Na Holanda e na Dinamarca, canaletas nas escadarias são comuns:
6) Em Tóquio e Kyoto, essas canaletas são automatizadas, carregando a bicicleta escada acima. Basta segurá-la enquanto você acompanha andando ao lado dela.
7) Em Roterdam (Holanda), dezenas de milhares de ciclistas usam escadas rolantes convencionais diariamente, para subir e para descer, desde os anos 40!
No blog Vá de Bike há imagens e vídeos que ilustram muitas das situações adotadas pelas Companhias Metroviárias ao redor do mundo.
Há muitas soluções para subir e descer com bicicletas, mas obrigar os ciclistas a carregá-las nas costas, mesmo tendo as opções de elevadores e escadas rolantes, é algo prejudicial à saúde dos usuários.
Um dos usuários do METRÔ fez um relato recente sobre o problema, ocasião em que contou quantos degraus teve de subir carregando sua bicicleta que, pesada, tinha 23 Kg. Vale ressaltar que é o mesmo peso permitido para as bagagens despachadas pelas companhias aéreas em voos domésticos.
Em resumo (o relato completo pode ser lido aqui), carregar uma bicicleta nas costas durante um trajeto pelo METRÔ, incluindo todas as escadas em que teve de levar a bicicleta nas costas, se equipara a subir um prédio de 15 andares carregando uma mala de 23 kg.
Fizemos um vídeo para ilustrar essa situação, que segue anexo a este documento.
Importante frisar que em estações como Jabaquara, Barra Funda e, principalmente, Tietê, o tráfego de usuários portando malas de grande volume, muitas vezes mais pesadas que 23 kg, além de caixas gigantescas com mudanças de outras cidades e todo o demais tipo de bagagem podem e usam as escadas rolantes do METRÔ. Desta forma, o usuário portando uma bicicleta deveria ter direitos iguais aos demais usuários que contam com bagagens pesadas.
Como solução imediata, poderíamos ter a escada rolante liberada para o ciclista carregar sua bicicleta. Em estações com mais de uma escada rolante, por exemplo (a grande maioria das estações), um único equipamento em cada sentido já daria conta da demanda de ciclistas, e caso haja algum usuário que se incomode em dividir a via, pode utilizar qualquer outra escada.
Muito importante é mostrar que a bicicleta não oferece riscos aos demais usuários da escada rolante, pois quando apoiada nos degraus e com os freios acionados, ela não desliza sozinha.
Outro ponto diz respeito aos dias e horários em que o METRÔ permite o uso de bicicletas nas suas composições. São períodos reconhecidamente de pouco movimento, sem aglomerações nas escadas e/ou plataformas.
É muito mais perigoso carregar a bicicleta na escada fixa, local em que o ciclista está mais propenso a se desequilibrar e cair escada abaixo, machucando eventual usuário que suba ou desça logo em seguida.
Outra sugestão seria a permissão para utilização dos elevadores que são, atualmente, subutilizados, servindo apenas para transportar pessoas com deficiência e que, nem seria necessário dizer, sempre terão a preferência!
Ainda é possível, embora entendamos que tais soluções, além de trazerem transtornos para os demais usuários com obras nas estações, dependeriam de orçamento e dinheiro específico para implantação, seriam as canaletas ou mesmo rampas nas escadas fixas, que serviriam para empurrar a bicicleta. Porém, como dito, dependeriam de recursos públicos, quando podem ser adotadas medidas que já existem sem risco nenhum.
Independentemente de qual solução acima for constituída, vale lembrar a importância da orientação por sinalização vertical e horizontal adequada para o usuário do METRÔ. Se for o caso do usuário portador de uma bicicleta ter que esperar o fluxo intenso de usuários para o uso da escada rolante, é importante que haja placas sinalizando tal orientação, bem como se os elevadores forem liberados para transportar bicicletas, que estas estejam sinalizadas.
Isto posto, e após apresentarmos a Vossa Senhoria algumas soluções adotadas ao redor do mundo, é através deste documento que tencionamos agregar argumentos ao grupo que atualmente estuda a situação na esperança de que, em breve, a política de transporte de bicicleta dentro das instalações dos prédios da Companhia Metropolitana de São Paulo – METRÔ seja alterada, inclusive na linha amarela, administrada pela VIAQUATRO, em benefício da saúde de todos nós.
São Paulo, 23 de janeiro de 2012.
Ciclo Liga
Carta compartilhada em nosso perfil.
Abraço.
http://twitter.com/usuariosmetrosp
liga dos ciclistas
Excelente iniciativa, sugiro também os paraciclos para funcionários que se utilizam da bicicleta para vir trabalhar aqui no Metrô.
Seria legal se a CPTM libera-se as bikes depois das 20:30hs. como o Metro. Assim pessoas que moram nas imediações das estações poderiam utilizar os trens para o retorno para suas casas. ex: podemos ir a alguns dos passeios noturnos no centro pedalando, mas na volta retornarmos de trem, pois no outro dia cedo temos que trabalhar.
abraço.
Ótimo manifesto.
Me permitam apenas uma correção.
Não se usa “portador de deficiência”. O ciclista “porta” a bicicleta…uma pessoa TEM uma deficiência.
O correto é “pessoa com deficiência”.
Sei que essa coisa do politicamente correto é meio chato, mas essa é uma decisão dos movimentos e organizações das pessoas com deficiência, bem como está assentada na Convenção Internacional das Pessoas com Deficiência, de 2006, ratificada pelo Brasil com status constitucional.
Na medida em que o documento/manifesto é público e se dirige a um órgão, também, público, creio que é necessário esse cuidado.
No mais, como ciclista urbano, apoio em gênero, número e grau o documento. Bike no metrô é foda!!
Ontem voltando de um passeio até Santos, eu e mais 3 homens utilizamos o metrô para retornarmos para casa. Tivemos que fazer a transferência da Estação Pinheiros do Metrô com a Estação Pinheiros da CPTM.
Mas eu com 1,59 e 47Kg, quase não aguentei subir todos aqueles lances de escada carregando a Bike.
No final já estava cambalenado, correndo o risco até de cair, pois as forças já estavam esgotadas.
Hoje estou com uma baita dor no ombro e braço. Por pouco não tive que ir ao hospital e quem sabe até perder um dia de trabalho.
Essas mudanças devem ocorrer o mais breve possível.
[...] uma forte campanha na internet, que contou com a publicação de um vídeo explicativo e uma carta aberta ao Sérgio Avelleda, presidente do Metrô de São Paulo, os ciclistas paulistanos podem finalmente [...]